Ela achava de um extremo encanto a androginia que o estilo feminino tinha vindo a adoptar. Idolatrava quem conseguisse usar o mais masculino dos fatos e seduzir meio mundo e desejava mais do que nunca alcançar esse estilo denominado por tomboy. Não por querer perder a sua feminilidade mas antes por achar que a simplicidade dos fatos masculinos e das camisas e calças de cortes direitos salientavam a exuberância dos seus traços femininos, a classe da sua maquilhagem e a compostura do seu cabelo. Havia algo de invulgar e arrojado em arriscar trocar os conceitos do que é vestuário feminino e masculino e misturá-los até alcançar o equilíbrio ideal. Na tentativa de atingir este equilíbrio divino ela aperfeiçoava os seus gestos e maneiras dotando-os de uma delicadeza tal que fariam envergonhar a mais perfeita das rosas inglesas, caprichava a velha arte do saber maquilhar contornando os seus lábios com o mais feminino dos batons e arranjava os seus cabelos com a maior das devoções. No final lá estava ela, no auge do seu simples esplendor.















